Em 2013 e 2014, os rolezinhos nos shoppings de São Paulo geraram pânico moral, cobertura jornalística histérica e decisões judiciais absurdas. Jovens negros e periféricos ocupando espaços de consumo que, na prática, nunca foram pensados para eles.
Uma década depois, o que aconteceu com essa geração? Eles cresceram, ficaram mais sofisticados e, em muitos casos, mais radicais na forma de reivindicar presença na cidade.
Os Novos Espaços
Os shoppings perderam parte do apelo. A geração que hoje tem entre 20 e 30 anos prefere outros territórios: praças revitalizadas por coletivos culturais, eventos de arte de rua, feiras de economia criativa, festas em espaços industriais reconvertidos.
Mas a lógica é a mesma: ocupar espaços que historicamente negaram sua presença. E fazê-lo com estilo, com arte, com música — de um jeito que é impossível ignorar.
A Economia por Trás
Há também uma dimensão econômica importante. Muitos desses jovens não são apenas consumidores de cultura — são produtores. DJs, fotógrafos, designers, organizadores de eventos, criadores de conteúdo.
A periferia desenvolveu uma economia criativa própria, que em muitos casos prescinde das estruturas tradicionais da indústria cultural. E isso, mais do que qualquer rolezinho, é o que realmente assusta quem sempre controlou os portões da cultura.